Glória de última hora

abril 20, 2010

Reveja os dérbis em que o Manchester United venceu o rival com gol no finalzinho

A temporada 2009-2010 começou com grande aspirações para o Manchester City. Entre os objetivos do novo milionário europeu figurava uma briga por vaga na Champions League e o rompimento com a imagem de o “irmão pobre do United”.

Como em qualquer lugar do mundo, os clássicos em Manchester sempre foram imprevisíveis. Quando a rivalidade entrava em campo, as diferenças históricas e econômicas reduziam-se a um mínimo.

Essa temporada não seria exceção, porém, trouxe um contexto diferente; com os holofotes da mídia direcionados à ascendência financeira do City, os rivais vermelhos nunca se incomodaram tanto com a idéia de perderem uma disputa local.

Mas a estrela do time de Alex Ferguson brilhou como nunca. Vencendo 3 dos 4 confrontos que teve com seus “vizinhos barulhentos”, os Red Devils riram por último, sempre perto do apito final. As emoções desses embates você relembra agora, aqui no Footblogger:

Manchester United 4-3 Manchester City

Campeonato Inglês. 20 de Setembro de 2009, Old Trafford. Público: 75.066

Muitos gols e polêmica marcaram o primeiro duelo do certame. Wayne Rooney teve pressa e deixou sua marca com apenas 2 minutos de jogo. O City não demorou e reagiu aos 16′, com Tévez, aproveitando falha de Van der Sar e deixando para Barry chutar pro gol aberto.

O segundo tempo mal começou e, aos 4′, o United voltou à frente com Fletcher, de cabeça, após cruzamento de Giggs. Felicidade que durou pouco, já que, 2 minutos depois, o golaço da partida saíu dos pés de Craig Bellamy, novamente equalizando o placar.

O jogo ainda estava aberto e, aos 35′, o United voltou à liderança com a mesma jogada do gol anterior: cruzamento de Giggs para Fletcher. Não se rendendo, Bellamy, nos acréscimos, marcou denovo após boa descida pela esquerda.

O gol da vitória: Os então 5 minutos de tempo adicional se transformaram em 6, e quem aproveitou foi o recém-contratado Michael Owen que, livre, mandou pro fundo das redes literalmente nos últimos segundos de partida. Muita reclamação ficou por conta dos torcedores celestes, alegando que o árbitro Martin Aktison esperou esse gol para apitar o término. 3 pontos controversos para os Diabos e muita festa no “Teatro dos Sonhos”.

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Manchester United 3-1 Manchester City

Carling Cup. 27 de Janeiro de 2010, Old Trafford. Público: 74,576

O United precisava reverter a derrota por 2 x 1 que sofreu no jogo de ida se quisesse chegar à final da Carling Cup em Wembley.

E como conseguiu.

Após um primeiro tempo inteiro de agonia, Paul Scholes acertou um chute aos 7′ do segundo, revertendo a vantagem. Michael Carrick fez o mesmo aos 26′, já pondo o pé em Londres.

Mas, 5 minutos depois, o carrasco Tévez marcou de cabeça o gol que levaria a decisão da semi-final para os penaltys…

O gol da vitória: …levaria, se o maior craque do futebol inglês no momento não resolvesse aparecer. Wayne Rooney, nos acréscimos, usou a cabeça para destruir os sonhos de título dos rivais. Mais tarde o United seria campeão vencendo o Aston Villa em Wembley.

Manchester City 0-1 Manchester United

Camp. Inglês. 17 de Abril de 2010, City of Manchester Stadium. Público: 47,019

Clique aqui para ver o gol

O último confronto entre as 2 equipes na temporada começou com ar de “jogo de 6 pontos”. Nessa reta final da liga, o United luta pra alcançar o Chelsea e se distanciar do Arsenal rumo a seu 19º título inglês, enquanto que o City briga diretamente com o Tottenham pela vaga na Champions que normalmente seria do Liverpool.

O gol da vitória: Paul Scholes, nos últimos segundos, encerrou um 0-0 que parecia não ter fim com um gol de cabeça certeiro no canto, pintando a alegria de vermelho mais uma vez nas ruas de Manchester. Quem achou que não poderia ficar pior pro City, se enganou: logo depois o Tottenham derrotou o Chelsea, passando dos Citizens na disputa pela vaga na Liga dos Campeões e ajudando o United nas suas chances de título, agora a apenas 1 ponto do time de Carlo Ancelotti.

A nova polêmica do futebol brasileiro

abril 15, 2010

Como acompanhamos nos noticiários do país inteiro, a CBF decidiu premiar o tricolor paulista. Para quem ainda não sabe, essa taça, de nome oficial “Troféu Copa Brasil”, foi criada para ser entregue ao primeiro clube brasileiro a vencer 3 Brasileiros consecutivos ou 5 alternados.

Trata-se da velha polêmica do Brasileirão de 87, agora de cara nova. Considerando o Flamengo como campeão da época, a Taça das Bolinhas é dos cariocas, já que teriam sido Penta-Campeões em 1992. Não considerando, a taça é do tricolor, que foi penta em 2007.

É natural que, vindo da CBF, a escolha tendesse a se encaminhar ao Morumbi, afinal é público que a entidade reconhece o Sport como campeão de 87, vencedor do Módulo Amarelo e do polêmico quadrangular final que o Flamengo se recusou a disputar.

As inúmeras variáveis que envolvem a escolha do vencedor de controverso torneio parecem deixar essa história longe de um final. Coisas do nosso Brasil. Outra pergunta que se faz é por quê  a CBF resolveu colocar mais lenha na fogueira dando um destino final a esse prêmio que, na minha humilde opinião, deveria ser esquecido? Mas aí já é uma outra discussão.

O Footblogger quer saber a sua opinião. Se quiser, explique sua escolha comentando no post. Mostrem seus argumentos!

Manchester City x Gillingham (1999)

abril 14, 2010

Wembley lotado, torcida apaixonada e empate no último minuto: conheça esse confronto que guarda a essência do real futebol inglês.

Esqueça o clube milionário que bate de frente com times do Top Four; o Manchester City do final da década de 90 era bem diferente. Rebaixado para a segunda divisão na temporada 1995-1996 e para a terceira no ano seguinte, o clube vivia o momento mais dramático de sua história. A crise na estima de seus torcedores era ainda agravada pelo esplendor de seu maior rival, já que o Manchester United, maior beneficiado pela criação da Premier League, ganhava o título da primeira divisão ano após ano e tinha fama mundial.

Fez-se urgente sair da terceira logo no mesmo ano, sob risco do clube se apagar. Lá na Inglaterra, essa “Série C” chamava-se Division Two, ao passo que a segundona chamava-se Division One e a primeirona era a Premier League. Na época, a Division Two contava com 24 clubes que disputavam um campeonato de pontos corridos. No fim da disputa, os dois primeiros ganhavam acesso automático para a Division One, deixando a terceira e última vaga para ser disputada pelos outros 4 clubes melhor colocados através de semi-finais, nas quais o 3º enfrentava o 5º e o 4º enfrentava o 6º. Os vencedores então se enfrentavam numa final de partida única, que iria a prorrogação e penaltys em caso de empate.

No final do certame, o City fez uma boa campanha, mas a terceira colocação ainda estava aquém das expectativas mais imediatistas de seus torcedores. O Fulham sagrou-se campeão e o desconhecido Walsall garantiu a segunda vaga.

Restava então a disputa pelo sofrido terceiro acesso, também pleiteado por Gillingham, Preston North End e Wigan Athletic.

Após derrotar o Preston, os Sky Blues esperariam o Gillingham, no famoso estádio de Wembley. O lado azul de Manchester não fazia idéia das emoções que teria nesse embate.

Era Domingo, 30 de Maio de 1999 e o estádio mais famoso da Inglaterra estava colorido com os diversos tons de azul que dão cor aos dois times. O público de 76.935 torcedores era um record absoluto na Divison Two, e o que se sucederia nesse cenário daria um ótimo filme.

O apito do árbitro Mark Halsey deu início ao drama, e a platéia assistiu um primeiro tempo cheio de ataques, com ambas as equipes apresentando um futebol ofensivo de qualidade. Pelo lado do Gillingham, destaques para o disparo de Galloway bem defendido pelo goleiro Weaver aos 8′ e um gol corretamente anulado de Asaba aos 37′. Já o City chegou com perigo em um chute rasteiro do lateral Crooks que tirou tinta da trave e uma cabeçada de Ashby na rede pelo lado de fora, aos 38′.

O segundo tempo continuou no mesmo ritmo, e o Gillingham quase balançou as redes aos 23’ com uma cabeçada de peixinho de Saunders, que havia substituído Galloway minutos antes. O City foi ainda mais ousado quando Gauter, sem ângulo, acertou a trave após bom contra-ataque puxado pelo escocês Dickov. Aos 32’, o Gillingham viu uma chance de ouro ir embora quando Taylor, de longe, mandou pra fora com o gol vazio, após saída errada do goleiro. O City ainda chegaria perto aos 34’ com um bom chute de Dickov, espalmado por Bartram.

O fim da partida se aproximava e parecia que o zero não sairia do placar. Foi quando Taylor, aos 35’, deixou Asaba na cara do gol, que aproveitou o belo passe e mandou no fundo das redes; Weaver não teve chance. A ducha de água fria nos animados torcedores celestes ficou gelada quando, aos 41’, Asaba retribuiu o passe do gol anterior com um magistral toque de calcanhar para Taylor, que só teve o trabalho de marcar o que, na cabeça dele e de todos naquele estádio, era o gol do acesso à Division One.

É aí que entra a parte poética do jogo, memorável para o lado celeste de Manchester e traumático para os cidadãos de Gillingham. O City foi com tudo pro ataque e, aos 44’, Horlock pegou um rebote de primeira, certeiro no gol aberto. Uma chama de esperança se acendeu nos pseudo-derrotados torcedores, enquanto os jogadores, sem tempo pra comemorações, já buscavam incessantemente o empate. O Gillingham portava-se todo fechado, isolando a bola, como manda o figurino nesse tipo de situação. Até que, aos 49’, um chute de desespero vindo da defesa foi dominado de cabeça, passou pelos pés de Goater e sobrou pra Dickov, de primeira, marcar seu nome na história do futebol inglês e levar ao delírio sua incrédula torcida, trazendo ao chão os torcedores do Gillingham presentes ao estádio.

Ao término do tempo regulamentar, o destino do jogo já estava desenhado nas expressões dos atletas. Do lado do City, ânimo, êxtase, esperança. Do outro, frustração e descontentamento. Na prorrogação, ambas as equipes deram continuidade ao futebol impetuoso do tempo regulamentar, mas nenhuma delas balançou as redes. A final dos playoffs da Division Two, pela primeira vez na história, iria ser decidida nos penaltys. E, apesar de muitos chamarem as penalidades de loteria, todos nós sabemos que o fator psicológico é crucial na decisão. Foi assim que o Gillingham desperdiçou 3 de suas 4 cobranças, enquanto que a única errada do City foi, ironicamente, a de Dickov, numa batida em que a bola bateu de um travessão a outro atravessando toda a linha do gol. Mas até isso foi perfeito para o time de Manchester: Dickov, o herói do gol no último minuto, era o único que tinha o direito de não ficar abatido por perder uma cobrança. O goleiro Nicky Weaver deu o melhor de si nas penalidades, e após defender a cobrança de Guy Butters, explodiu em alegria junto a uma equipe que, naquela tarde, descobriu que o “impossível” está fora de qualquer regra do futebol.

Esse dia não só marcou o “adeus” do City ao fundo do poço, como também rendeu a milhões de torcedores histórias fantásticas para contar:

“Meu irmão estava de férias com a família na França. Recebi uma ligação dele na Segunda à tarde perguntando o que aconteceu. Ele desligou o rádio aos 89’ quando ainda perdíamos por 2×0, ficou doente de tristeza e passou a noite inteira bebendo. No dia seguinte, quando ligou no jogo do Bolton, ouviu o locutor dizer que esperava que o jogo fosse tão emocionante quanto o da noite anterior. Ele não entendeu nada, então me ligou. Quando eu contei a ele o desfecho, bem, ele começou a berrar que nós ganhamos, que tínhamos subido e chorou por todos os cantos do sul da França.” – relatou um torcedor denominado John ao jornal Manchester Evening News.

Você pode conferir os melhores momentos dessa partida pelo Youtube, aqui:

Fontes:
Wikipedia – http://en.wikipedia.org/
Manchester Evening News – http://www.manchestereveningnews.co.uk

Apiiiita o árbitro!

abril 14, 2010

Bola rolando aqui no Footblogger. Nada melhor do que ter um espaço próprio pra trazer informação e opinião sem compromisso sobre um assunto que você gosta. E o que nós gostamos? Dessa herança britânica que apaixona qualquer um e faz com que não possamos mais viver sem ela. Não estou falando do chá das 5, nem de nenhuma banda de rock (mas bem que poderia). O que trataremos aqui é do esporte mais popular do planeta, o Futebol, que trouxemos da Europa e nos tornamos os maiores vencedores. Mas aqui trataremos desse esporte da maneira global que ele merece: podemos comentar sobre a final de uma Champions League ou mesmo sobre a paixão de qualquer torcida desconhecida no interior desse imenso Brasil. Nosso blog não tem tantas regras quanto o esporte que trata, mas algumas coisas são garantidas: democracia, seriedade e conteúdo. Não escreveremos nada que não tenhamos 100% de certeza e nos desculparemos quando errarmos. No mais, esperamos que mais do que um leitor, você possa também colaborar enviando textos sobre qualquer coisa ligada ao esporte e nós teremos o prazer de publicar. Seus comentários também são importantes, afinal o motivo do blog é, mais do que nunca, a divulgação de opiniões de internautas boleiros do país inteiro.  Agradecemos sua visita desde já e esperamos que acessar o blog seja tão divertido quanto escrevê-lo. Prrrriiiii!